
O início de um novo ano costuma ser marcado por reflexões, metas e recomeços. Porém, em meio às demandas da rotina, um aspecto essencial ainda recebe pouca atenção: a saúde mental.
O Janeiro Branco é uma campanha nacional criada para incentivar o diálogo sobre o cuidado emocional, promovendo informação, escuta e conscientização. Em ambientes coletivos como os condomínios — onde convivem moradores, síndicos, colaboradores e prestadores de serviço — esse tema torna-se ainda mais relevante, pois as relações humanas fazem parte da rotina diária.
Esse cuidado ganha ainda mais importância diante das atualizações da NR-01 (Norma Regulamentadora nº 01), que passou a reconhecer oficialmente os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse, sobrecarga emocional, conflitos interpessoais e pressão constante. Esses fatores, quando não observados, impactam diretamente a saúde, o desempenho e o bem-estar das pessoas.
Pensando nesse cenário, a CM Premium convidou a psicóloga Gisele Texdorf Martins, especialista em Saúde Mental, para uma conversa sobre os desafios emocionais da convivência condominial, o papel do síndico diante dos conflitos e a importância de práticas mais humanas no dia a dia.
Ao longo desta entrevista, refletimos sobre como o cuidado com a saúde mental deve fazer parte da gestão, da convivência e da cultura dos condomínios, alinhando-se tanto à campanha do Janeiro Branco quanto às boas práticas exigidas pela legislação atual.
Para conhecer mais sobre a campanha, acesse o site oficial do Janeiro Branco:
👉 https://janeirobranco.org.br/
O Janeiro Branco é uma campanha nacional criada em 2014 para nos lembrar da importância de cuidar da saúde mental. Ele nos convida a fazer uma pausa, olhar para dentro e reconhecer nossas necessidades emocionais, criando espaços de diálogo mais acolhedores, onde possamos expressar sentimentos e também compreender a diferença entre um acolhimento cotidiano feito por você e por quem está ao seu redor e um acompanhamento profissional.
A escolha do mês de janeiro se dá por ser um período marcado por recomeços, reflexões e metas para o novo ano. Trazer a saúde mental para essa conversa reforça que ela precisa fazer parte das nossas prioridades, porque está presente no dia a dia, influencia nossas relações e merece atenção, respeito e conhecimento.
Em condomínios, convivem pessoas muito diferentes entre si. Falar de saúde mental exige abertura e confiança, e nem sempre existe esse espaço. Muitas pessoas ainda têm receio de demonstrar fragilidade ou acreditam que questões emocionais devem ser trocadas por frases motivacionais, positivas, o que na verdade acaba mascarando por um tempo, agravando ou desencadeando problemas mais graves.
Além disso, a convivência coletiva costuma ser marcada por regras, cobranças e expectativas, exigindo do síndico habilidades sociais importantes para o manejo desta tarefa.
Mediar conflitos não é uma tarefa fácil, a convivência poderá revelar problemas de ordem coletiva mas também individual, tanto de moradores quanto do sindico, isso pode gerar desgaste emocional, sensação de impotência e até exaustão.
Sim, pelo fato do sindico ter contato com muitas pessoas com vidas e momentos diferentes, com uma postura ética e empática poderá impactar no clima emocional, como por exemplo:
Proporcionar a escuta atenta, respeitosa, zelar pelo respeito mútuo, utilizar linguagem clara, ter um comportamento ético, são exemplos de ações que poderão contribuir para o melhor clima emocional do condomínio.
Um ponto fundamental é o reconhecimento que a tarefa de lidar com pessoas de mentes completamente diferentes irão em algum momento trazer desgaste emocional, então ficar atento aos seguintes itens:
- Você não conseguira controlar tudo: tomar para si a responsabilidade que pertence ao outro so leva ao desgaste e ao adoecimento.
- Delimitar limites: - horários, formas de contato e responsabilidades claras.
- Buscar apoio quando necessário: conversar com a administradora, com outros síndicos ou com um profissional.
- Criar pausas reais: descanso é parte do trabalho, não um luxo.
- Perceber seus próprios sinais: irritação, cansaço e sobrecarga merecem atenção.
- Manter vida fora do condomínio: o papel de síndico é só um papel; é importante ter espaços onde possa ser apenas pessoa.
- Buscar apoio: pedir ajuda não é sinal de fraqueza, esta ajuda dependerá do tipo de problema que esteja enfrentando, mas peça!
- Identificar os sinais: O corpo e as emoções mandam sinais o tempo todo, como por exemplo dores de cabeça, estomago, irritabilidade, escute e verifique como esta lidando com estes sinais.
- Tenha vida fora do trabalho: Amizades diferentes auxiliam no bem estar.
- A busca pelo autoconhecimento: Ela não deverá ser realizada somente quando adoecemos, pelo contrário, o cuidado com as emoções auxiliam na prevenção e no gerenciamento delas em momentos de dificuldade.
Que possamos olhar uns para os outros com mais presença, mais escuta e menos pressa de julgar. Que cada um possa olhar para si como um privilégio na busca de uma vida emocional leve e saudável.
A entrevista com a psicóloga Gisele Texdorf Martins reforça que cuidar da saúde mental não é apenas uma escolha individual, mas uma necessidade coletiva — especialmente em ambientes que envolvem convivência, responsabilidades e tomada constante de decisões, como os condomínios.
Com a atualização da NR-01, o cuidado com os riscos psicossociais passa a ser reconhecido também como uma responsabilidade das organizações, reforçando a importância de ambientes mais saudáveis, comunicação respeitosa, limites claros e apoio adequado aos profissionais envolvidos, incluindo síndicos e colaboradores.
Neste Janeiro Branco, a CM Premium reafirma seu compromisso com uma gestão que vai além dos aspectos administrativos e financeiros, valorizando o fator humano como parte essencial da boa convivência e da sustentabilidade condominial.
Promover saúde mental é investir em relações mais equilibradas, decisões mais conscientes e comunidades mais fortes. Que este conteúdo inspire reflexões, diálogos e atitudes que contribuam para um ambiente mais saudável — dentro e fora do condomínio.
💛 Porque cuidar das pessoas também é uma forma de gerir com responsabilidade.

Gisele Texdorf Martins
Psicóloga – CRP 08/10329
Especialista em Saúde Mental
Professora Universitária
@acolherpsicoelutos
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